Em memória de Claudio Manhães, “O Gordo”
Por Vitor Peixoto**
Caros colegas,
Hoje é um dia triste para a comunidade
uenfiana, principalmente para aqueles que estão aqui desde antes do
asfaltamento da Av. Alberto Lamego. Faleceu o Cláudio, mais conhecido como
Gordo (que há muito tinha deixado de dar forma ao codinome). Claudinho nunca
foi um exemplo de ser humano a ser seguido à risca. Como humano, tinha muitos
defeitos, alguns facilmente detectáveis. Mas foi um sujeito que apoiou muitos
estudantes, técnicos e docentes desta instituição. Construiu uma relação
duradoura com muitos de nós. Mesmo do lado de fora do muro desta instituição,
ele sempre foi importante para que aquilo que acontece aqui do lado de dentro
pudesse existir.
Quando não tínhamos restaurante universitário,
era lá que podíamos nos alimentar. Para muitos de nós, era somente lá. O Gordo
construiu também um ambiente em que podíamos nos encontrar de forma não
planejada. Bastava atravessar a rua para encontrar "gente nossa" para
conversar, extravasar e beber. Era o ambiente de socialização que a UENF nunca
conseguiu construir dentro de seus muros (e nem acho que deveria ou mesmo
poderia, se assim o quisesse). Pessoalmente, foi fundamental para que eu e
muitos outros amigos da mesma geração pudéssemos concluir a graduação. No
Gordo, eu bebi quando era para beber, chorei as dores da vida, ouvi músicas
péssimas e vi meu time de futebol perder muitas vezes, inclusive a Seleção na
Copa de 1998. Mas também ouvi música de altíssima qualidade do "Saboya,
mas não afunda", alimentei-me na pandemia quando o restaurante fechou,
chorei de alegria quando passei no concurso para professor e também quando vi a
Seleção ser pentacampeã em 2002 (assistimos aos jogos na quadra da UENF e íamos
lá beber e comemorar!).
O Cláudio estava aqui quando tudo isso era
barro, porque nem mato tinha. Confraternizaram lá ex-reitores, futuros
reitores, estudantes, ex-estudantes, técnicos e ex-técnicos. É fato que o
trailer foi se degradando com o tempo, como muitos de nós. O Cláudio também foi
se degradando, mais ainda com a recente perda da filha — uma menina que
praticamente vi nascer no condomínio Verdes Campos e que também havia ajudado a
dar arrimo ao que o próprio Gordo já não conseguia mais. Essa dupla desempenhou
um papel excepcional. Uma universidade é construída também por gente como eles.
Muito sinceramente, acho importante que
consigamos prestar as devidas homenagens àqueles que se dedicaram a tornar
exequível o projeto desta Universidade.
Que o Gordo descanse em paz!
___________________________________________________
* Montagem do portal Manchete RJ. Disponível em: https://mancheterj.com/morre-claudio-manhaes-dono-do-bar-do-gordo-localizado-em-frente-a-uenf/, acesso em 13 de julho de 2026.
** Vitor Peixoto é Cientista Político e professor associado da UENF. Autor do livro ''Eleições e Financiamento de Campanhas no Brasil'' publicado pela Garamond em 2016.

Nenhum comentário:
Postar um comentário