segunda-feira, 13 de julho de 2026

Em memória de Claudio Manhães, “O Gordo” - Por Vitor Peixoto

 

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Em memória de Claudio Manhães, “O Gordo”

Por Vitor Peixoto**

 

Caros colegas,

Hoje é um dia triste para a comunidade uenfiana, principalmente para aqueles que estão aqui desde antes do asfaltamento da Av. Alberto Lamego. Faleceu o Cláudio, mais conhecido como Gordo (que há muito tinha deixado de dar forma ao codinome). Claudinho nunca foi um exemplo de ser humano a ser seguido à risca. Como humano, tinha muitos defeitos, alguns facilmente detectáveis. Mas foi um sujeito que apoiou muitos estudantes, técnicos e docentes desta instituição. Construiu uma relação duradoura com muitos de nós. Mesmo do lado de fora do muro desta instituição, ele sempre foi importante para que aquilo que acontece aqui do lado de dentro pudesse existir.

Quando não tínhamos restaurante universitário, era lá que podíamos nos alimentar. Para muitos de nós, era somente lá. O Gordo construiu também um ambiente em que podíamos nos encontrar de forma não planejada. Bastava atravessar a rua para encontrar "gente nossa" para conversar, extravasar e beber. Era o ambiente de socialização que a UENF nunca conseguiu construir dentro de seus muros (e nem acho que deveria ou mesmo poderia, se assim o quisesse). Pessoalmente, foi fundamental para que eu e muitos outros amigos da mesma geração pudéssemos concluir a graduação. No Gordo, eu bebi quando era para beber, chorei as dores da vida, ouvi músicas péssimas e vi meu time de futebol perder muitas vezes, inclusive a Seleção na Copa de 1998. Mas também ouvi música de altíssima qualidade do "Saboya, mas não afunda", alimentei-me na pandemia quando o restaurante fechou, chorei de alegria quando passei no concurso para professor e também quando vi a Seleção ser pentacampeã em 2002 (assistimos aos jogos na quadra da UENF e íamos lá beber e comemorar!).

O Cláudio estava aqui quando tudo isso era barro, porque nem mato tinha. Confraternizaram lá ex-reitores, futuros reitores, estudantes, ex-estudantes, técnicos e ex-técnicos. É fato que o trailer foi se degradando com o tempo, como muitos de nós. O Cláudio também foi se degradando, mais ainda com a recente perda da filha — uma menina que praticamente vi nascer no condomínio Verdes Campos e que também havia ajudado a dar arrimo ao que o próprio Gordo já não conseguia mais. Essa dupla desempenhou um papel excepcional. Uma universidade é construída também por gente como eles.

Muito sinceramente, acho importante que consigamos prestar as devidas homenagens àqueles que se dedicaram a tornar exequível o projeto desta Universidade.

Que o Gordo descanse em paz!

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* Montagem do portal Manchete RJ. Disponível em: https://mancheterj.com/morre-claudio-manhaes-dono-do-bar-do-gordo-localizado-em-frente-a-uenf/, acesso em 13 de julho de 2026.

** Vitor Peixoto é Cientista Político e  professor associado da UENF. Autor do livro ''Eleições e Financiamento de Campanhas no Brasil'' publicado pela Garamond em 2016.

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