segunda-feira, 5 de julho de 2021

Parque Alberto Sampaio e os desafios da revitalização

Fonte: Folha 1.

Parque Alberto Sampaio e os desafios da revitalização*

* Publicado originalmente em Jornal on-line Terceira Via.

Inaugurado em 1988 pelo então prefeito Zezé Barbosa, o Parque Alberto Sampaio está em decadência há pelo menos 20 anos. Sucessivos governos negligenciaram o local que já foi importante espaço de lazer e palco de grandes eventos culturais. No dia 28 de junho, o prefeito Wladimir Garotinho anunciou Projeto de Lei encaminhado à Câmara Municipal para transformar o equipamento público em Praça da Bíblia. Caberá à Associação Evangélica recuperar e zelar pelo parque. Intelectuais, artistas, arquitetos e urbanistas reagiram à decisão. O local abandonado em plena área central voltou a despertar interesse e discussões sobre sua ocupação.

Durante evento no Alberto Sampaio, Wladimir fez citações bíblicas antes de assinar convênio do programa “Amigo da Cidade”, com a AEC. “Nós devemos orar por todas as autoridades. Gostando da autoridade ou não. Campos vive um momento difícil. A gente disse que era possível. E só é possível se a igreja estiver junto, com Deus à frente”. Em seguida, anunciou que passará para a Associação Evangélica de Campos a responsabilidade pelo espaço público, onde será criada a Praça da Bíblia. “A AEC representa todas as denominações. Não estou falando de uma igreja, mas de um povo cristão desta cidade, que possa continuar em oração”, destacou o prefeito.

A iniciativa do prefeito em criar uma Praça da Bíblia recebeu apoio, mas também críticas e ponderações por parte de artistas e acadêmicos. Uma das preocupações é se o espaço público, supostamente, privilegiar seguidores da fé evangélica.

A Associação Evangélica de Campos existe há 32 anos e reúne cerca de 120 igrejas de diversas denominações. É presidida pelo apóstolo Renan Siqueira, ex-candidato a vereador. Ele afirma que a instituição não tem fins políticos, apenas sociais e evangelísticos. “Promovemos ressocialização de dependentes químicos, ex-presidiários, moradores em situação de rua. Fazemos parte do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente. A AEC vai reformar e cuidar da manutenção da praça, realizar trabalhos sociais, eventos religiosos e culturais”, planeja.

Nos anos 1980, em frente à antiga Estação Ferroviária, foi criada uma Praça da Bíblia. Esta outra no Alberto Sampaio gerou polêmica. Por meio de nota, o governo esclareceu que a praça será ao lado do Anfiteatro Antônio Roberto de Góis Cavalcanti, Kapi, e continuará disponível para a população em geral, independente da escolha religiosa. “É uma praça pública. O objetivo é revitalizar o parque. A administração municipal é laica e o prefeito não discrimina, apoia ou tem predileção por qualquer denominação religiosa. Festas religiosas tradicionais, como a de Santo Amaro, fazem parte da cultura local e são apoiadas”.

Renan Siqueira afirma que não pretende se apropriar da praça. “Nós evangélicos pregamos e vivemos o amor ao próximo. Teremos a maior alegria em servir qualquer religião que almeje utilizar o espaço público. Nosso maior desejo sempre foi ver aquele espaço sendo utilizado para o bem-estar da população, um ambiente familiar, seguro; compartilhar o Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo através de eventos cristãos, ação social e unir pessoas”.

Política, religião e arte

Doutor em Teologia, Fabio Py é professor do Programa de Sociologia Política da Uenf. Ele observa que nos últimos 10 anos transformar antigos aparatos públicos em Praça da Bíblia tem se repetido pelo Brasil.

“Faz parte de alianças dos governos com as grandes igrejas evangélicas. A Associação Evangélica como instituição se fortalece. Para mim, são as alianças políticas mais estridentes do bolsonarismo. Pode haver um direcionamento religioso desse espaço público. O que se tinha antes como debate cultural nessa praça, pode estar em risco de virar um espaço evangelístico e apologético”, cogita.

O diretor teatral Fernando Rossi foi assistente do espetáculo de inauguração do Parque Alberto Sampaio, “Arena Conta Zumbi”, dirigido pelo já falecido Kapi. Por vários anos, Rossi montou e exibiu peças e musicais no anfiteatro.

“Recebi com surpresa e perplexidade a notícia da parceria entre a Prefeitura e AEC para transformar o Teatro de Arena no Parque Alberto Sampaio em Praça Bíblica. Com a Lei nº 8.757 de 29 de junho de 2017 o Teatro de Arena passou a ter o nome de Kapi. O espaço foi concebido para atividades culturais para a população. É bom lembrar que o Estado é laico pela Constituição”.

A diretora teatral Tânia Pessanha diz que quando o parque foi construído, a classe artística se animou com o espaço. “Claro que não basta a existência da estrutura básica. E se tivéssemos uma prefeitura com interesse em desenvolver a cultura local, inúmeras atividades artísticas poderiam e deveriam acontecer ali. Acho absurdo um espaço cultural ser direcionado para um segmento religioso. A classe artística tem que ser ouvida”.

O poeta Artur Gomes destaca o Festival de Música da Primavera no anfiteatro. Em 1989, o vencedor foi João Damásio com a música Mãe África.

“Lá também foram realizados o Encontro Nacional de Poesia em Voz Alta 1991 e 1992. O governo Zezé Barbosa, por incrível que pareça, teve um momento auspicioso. No próprio governo Garotinho, nos dois anos iniciais do seu primeiro mandato, esses espaços estiveram em evidência”, compara.

A atriz Lúcia Talabi diz que o Alberto Sampaio foi pensado e construído como espaço cultural.

“Ainda não recebeu a devida atenção por parte do Poder Público. É situado em lugar estratégico. Repercutiu positivamente a Feira dos Povos em 2017. Não precisamos de mais atividades confessionais, mas de bons serviços em arte e a cultura”.

O dançarino e historiador José Fernando Rodrigues lembra dos vários eventos de dança realizados no Teatro de Arena.

“Esses espaços abertos e equipamentos urbanos foram literalmente abandonados. Cabe ao Poder Público recuperá-los. Acho saudável parcerias com a iniciativa privada nesse aspecto. Uma arena pública é para promover cultura. Caberá ao Conselho Municipal de Cultura fiscalizar esse espaço”, cogita.

Passado, presente e futuro

O campista Alberto Sampaio foi referência mundial em botânica, além de médico homeopata, geógrafo e sociólogo. Nascido em 1881, aos 22 anos foi estudar no Rio de Janeiro. Ingressou em 1904 no Museu Nacional. Por 36 anos defendeu causas de preservação ambiental. Morreu em 31 de dezembro de 1946. Este resumo biográfico foi pesquisado por Genilson Soares, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Campos.

“O espaço era conhecido como Jardim de Alah e só passou a homenagear o ilustre campista em 1947. O Parque era muito arborizado. Destaco a apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira em 3 de julho de 1961. Essas parcerias com a iniciativa privada não podem passar por cima da história e tradição. Tem que haver diálogo com a sociedade. Vivemos em uma democracia. A República separou o Estado da Igreja, desde 7 de janeiro de 1890”, diz Genilson.

O arquiteto e urbanista Ernani Alves considera o abandono do Parque Alberto Sampaio lamentável.

“Ele se tornou um ponto comercial com camelódromo e estacionamento sob o viaduto. Deveria ser feito um projeto de urbanização e revitalização. A população de rua e falta de segurança preocupam. A ideia de ‘Central Park’ sempre foi a tônica. Era o pensamento dos criadores do projeto, os arquitetos Claudio Valadares, Ocemir Boticelli e Francisco Leal, quando venceram o concurso que originou o projeto. Seria um sonho termos um belo parque sem grades e todo ajardinado na área central”, conclui.

Divulgação - "Paris Café: Religião X Política: como descolar a comunidade cristã do pensamento reacionário?"

 

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Pandemia, memória e justiça

Jogadores do clube de futebol uruguaio Villa Española em partida contra o Peñarol dizem "Nem esquecido, nem perdoado" à morte do coronel José Nino Gavazzo, agente de repressão na ditadura uruguaia. Fonte: Brasil de Fato. 


Pandemia, memória e justiça    

Paulo Sérgio Ribeiro

Em uma sessão da CPI da COVID, seu relator, Senador Renan Calheiros (MDB-AL), iniciou os trabalhos do dia com um ato de memória, a saber, a alusão ao Julgamento de Nuremberg, um paralelo com o destino dos próceres alemães do nazismo[1]. Citar um evento tão caro à autoimagem do Ocidente no pós-guerra evidenciaria, pois, um senso de responsabilidade histórica exigido pela matéria que os senadores têm em mãos, a saber, um possível crime contra a humanidade ou, não menos, um genocídio perpetrado pelo presidente da república, membros da alta administração federal e demais coadjuvantes surgidos da promiscuidade entre a burocracia estatal, empresários da estirpe de um “Véio da Havan” ou Carlos Wizard e o submundo do poder armado (alas golpistas das Forças Armadas, grupos fascistizados das polícias estaduais, garimpeiros, madeireiros, grileiros, milícias etc).

O ato, como esperado, teve pronta resposta dos senadores governistas na CPI. Para estes, tratar-se-ia simplesmente de uma fala “odiosa”, fora de contexto ou, quiçá, um “jogar para a plateia”. Ora, a virulência daquela reação diz muito sobre o nexo entre o que fazer para sobrevivermos – uma inflexão na política nacional de saúde que esteja à altura da complexidade da pandemia do novo coronavírus - e o que fazer para vivermos sem ignorar aqueles que se foram – a apuração de responsabilidade objetiva do Estado em um morticínio sabidamente evitável e, o que não é tão óbvio, a construção de uma memória nacional da pandemia que devolva um sentido a este luto coletivo.

Falar em gestão da memória no calor dos acontecimentos da CPI da COVID seria uma questão extemporânea? Se considerarmos que uma política do esquecimento é retroalimentada pela permissividade a práticas autoritárias de líderes, agentes ou apologistas de um Estado policial que flanaram pelas instituições ao longo da transição democrática, podemos responder sem titubear: não.

Contrarrevoluções do passado que impliquem violações em massa de direitos estão sujeitas ao escrutínio público com vistas a consolidar regimes políticos que tenham por fundamento a soberania popular. Tal revisão corresponde a uma política de memória, assumindo o Estado o dever de efetivar o direito à verdade tanto às vítimas do terrorismo estatal quanto às novas gerações para que se repactuem, em processos individuais e coletivos, limites éticos e padrões morais próprios aos direitos humanos.  

Como salienta Antônio Barros[2], temos de distinguir conceitualmente verdade hermenêutica de verdade factual. A primeira é a que se submete ou, melhor, é moldada pela disputa de opiniões inerente aos processos legislativos e ao debate público. Pelo próprio dissenso que variadas possibilidades interpretativas em torno de uma questão de interesse público suscitam, a força da persuasão tende a prevalecer sobre as proposições de validade universal. Não à toa, assistir a um cientista ser “inquirido” por um senador bolsonarista na CPI da COVID seja o mesmo que ver alguém jogando xadrez com um pombo... A segunda, por sua vez, equivale a um juízo de fato, isto é, àquilo que, sob pena de um constrangimento epistêmico, não se pode pôr em dúvida mesmo aqueles que se opõem ferrenhamente na luta ideológica. Exemplo: conservadores e progressistas reconhecem o caráter problemático das desigualdades raciais no Brasil, mas oferecem prognósticos concorrentes a este respeito quando adentram no debate econômico.

Não obstante, mesmo que admitamos que o processo de formação da opinião seja sempre um equilíbrio instável entre distorções deliberadas da realidade e a busca de um recorte da realidade que se ajuste a um diagnóstico do tempo presente, alguns pontos de partida podem ser traçados quando olhamos para a chamada Era Bolsonaro como a face mais sombria do país que sobreveio à Lei de Anistia de 1979.

A Lei nº 6.683/1979, promulgada na ditatura civil-militar, concedeu anistia a presos, exilados ou àqueles que estiveram na clandestinidade por terem praticados crimes políticos, bem como aos agentes da repressão que tenham praticado assassinato, tortura, desparecimento forçado e demais violações de direitos humanos entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. Equiparar as formas de crítica, de protesto e de desobediência civil experimentadas nos anos 1960 e 1970 a uma pretensa “legitimidade” do regime de exceção que se instalava no Brasil é uma premissa que, na referida lei, é observável pela exclusão da anistia àqueles que foram presos por terem se engajado na luta armada contra o regime.

Para José Carlos Filho[3], a ambiguidade da Lei da Anistia matizou o processo de redemocratização entre nós. Se, por um lado, a anistia foi uma demanda pela reabertura política que ensejou uma mobilização social que se faria decisiva na campanha pelas Diretas Já (1983-84) e na Assembleia Constituinte (1987-88), por outro, representou uma justiça de transição conservadora, uma vez que promoveria o “esquecimento institucional” dos crimes contra a humanidade e, por conseguinte, a impunidade dos seus autores e executores. Como bem sintetiza José Carlos Filho:

 

Em outras palavras, militares, policiais, juízes, promotores, políticos e demais funcionários públicos que participaram ativamente do processo de perseguição política aos opositores do regime ditatorial continuaram nos seus postos de trabalho como se nada houvesse acontecido (SILVA FILHO, 2018, p. 1287-1288).

 

O fragmento em destaque nos serve para não subestimar a heterogeneidade dos grupos de interesse que sustentam uma ditadura. Não obstante, indagar como chegamos ao descalabro da pandemia é indagar como Jair Messias Bolsonaro chegou à Presidência da República e, de modo complementar, qual papel o partido militar desempenha na transição democrática e, sobremaneira, no pós-golpe de 2016. Marcelo Pimentel, coronel e oficial de artilharia formado na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) em 1987, elabora uma definição coerente dessa grande eminência parda da “Nova República”. A seu ver, trata-se de “um grupo coeso, hierarquizado, disciplinado, com algumas características autoritárias e claras pretensões de poder político, dirigido por um núcleo de generais formados nos anos 1970 na Academia Militar das Agulhas Negras, que integraram ou integram o Alto-Comando do Exército”[4].

A interdição do debate sobre a ditadura civil-militar dentro das próprias Forças Armadas em termos, digamos, mais realistas do que o revisionismo histórico que nomeia o golpe de 1964 de “revolução redentora” é sugestivo do quão herméticas suas corporações podem ser e de como a socialização na caserna tem, paradoxalmente, na subversão da ordem constitucional uma espécie de salvo-conduto para a transgressão disciplinar intramuros.

Para confirmá-lo, bastaria recordarmos a controversa retirada do então capitão Jair Bolsonaro dos quadros do Exército brasileiro[5]: em 1986, a revista Veja publica em sua seção “Ponto de Vista” artigo de autoria de Jair Bolsonaro, a serviço do 8º Grupo de Artilharia de Campanha, intitulado “O salário está baixo”, uma infração que lhe infligiria a prisão administrativa e, ironicamente, notoriedade entre oficiais da ativa e da reserva. No ano seguinte, a mesma revista Veja noticiou o planejamento da operação “Beco sem saída” que teria em Jair Bolsonaro seu principal artífice. A operação, que não chegou a ser executada, consistia em detonar explosões em unidades da Vila Militar sediada na AMAN, caso o reajuste concedido aos militares pelo governo federal ficasse abaixo de 60%.

Os resultados de uma sindicância feita pelo Exército concluíra que Jair Bolsonaro e outro capitão, Fábio Passos da Silva, deveriam ser expulsos da corporação por conceberem tal operação, levando o Ministro do Exército à época, Leônidas Pires Gonçalves, a submetê-los ao Superior Tribunal Militar (STM). Contudo, o STM decidiu pelo não afastamento de ambos os capitães, em face de inconsistências no processo. Em 1988, Bolsonaro vai para a reserva conservando sua patente de capitão e, a partir de 1990, inicia sua carreira política como vereador eleito no Rio de Janeiro pelo extinto Partido Democrata Cristão (PDC), arregimentando sua base eleitoral no antigo reduto militar.

A circunstância desse julgamento – secreto, sem acesso à imprensa – e o seu resultado são, para o jornalista Luiz Maklouf Carvalho – autor do livro “O cadete e o capitão”, que aborda a trajetória militar de Jair Bolsonaro – expressivos do “espírito de corpo militar”, assim como de sua “hostilidade à imprensa” durante a transição democrática[6]. Aqui, podemos refazer nossa indagação com maior detalhamento: como um ex-militar que chegara a ser julgado por seus pares por ter arquitetado um atentado à bomba contra a AMAN não só chega à Presidência da República como “quarteliza” o primeiro escalão do governo federal com mais de seis mil militares da ativa e da reserva em seus postos-chave?

Uma hipótese: por menor que seja a honorabilidade do ex-capitão junto ao Alto-Comando do Exército devido ao seu histórico de indisciplina – um autêntico “bunda suja” -, o partido militar não teria por que ignorar na projeção nacional de Jair Bolsonaro um “ativo político” para regressar ao Planalto como condottiere de ocasião do golpe parlamentar de 2016: uma ruptura institucional cujos elementos de exceção mostrar-se-iam mais difusos do que em 1964 com o lawfare no Poder Judiciário mas, nem por isso, refratáveis à tutela das armas. João Cézar Castro Rocha, autor do livro “Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas do Brasil”, avalia o discurso bolsonarista como tributário de uma “mentalidade revisionista e revanchista no Exército porque considera que os militares venceram a batalha, no golpe de 1964, mas perderam a guerra, a guerra pela opinião pública”[7] e faz um alerta, no mínimo, perturbador:

 

Nós nos aproximamos do momento mais grave da vida brasileira desde a redemocratização. Teremos uma recessão econômica cuja recuperação não se encontra ainda no horizonte, e o colapso do governo Bolsonaro é inevitável, porque não se pode governar sem dados objetivos. A armadilha da guerra cultural é essa: você se mantém numa aparência de êxito permanente, mas você não consegue fazer nada. Você está totalmente preso na armadilha do seu próprio êxito aparente, que é virtual e em boa medida alimentado por robôs. Quanto maior o colapso do governo, maior a virulência da guerra cultural e maior a tendência dessa guerra virtual transbordar para as ruas. Não dá para governar um país criando inimigos o tempo todo. (...) Nós vivemos hoje a iminência, um risco sério de um golpe autoritário, que será mais violento que a ditadura militar porque esse desejo de eliminação das instituições não fazia parte da ditadura militar. A ditadura militar queria criar instituições à sua imagem e semelhança. O bolsonarismo pretende destruir instituições. Nós só poderemos deter esse processo se compreendermos a lógica perversa que domina esse governo[8].

 

Entender essa lógica perversa, na aceleração da conjuntura em que nos encontramos, requer indagar se uma nova “operação de esquecimento” sobre o extermínio não apenas do “inimigo interno” da vez – os partidos de esquerda, as minorias organizadas, as lideranças do campo, os povos originários -, mas da população em geral estará em andamento em mais um capítulo da nossa história em que o monopólio da força é corrompido por uma burguesia em guerra contra toda nação.



[1] Portal G1. CPI da Covid tem discussão após Renan citar julgamento de Nuremberg. Edição de 25/05/2021. Disponível aqui.

[2] Cf. BARROS, Antônio Teixeira de. O debate parlamentar sobre a Comissão Nacional da Verdade no Congresso Nacional Brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 2020, vol. 35, nº 104. Disponível aqui.

[3] Cf. SILVA FILHO, José Carlos Moreira da. Justiça de transição e usos políticos do Poder Judiciário no Brasil de 2016: um golpe de estado institucional? Revista Direito & Práxis, vol. 9, nº 3, set. 2018. Disponível aqui.

[4] Carta Capital. O Brasil é refém do Partido Militar, diz coronel. Edição de 30/05/2021. Disponível aqui.

[5] As informações biográficas de Jair Bolsonaro foram consultadas no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Disponível aqui.

[6] Portal G1. Aversão de militares à imprensa ajudou a absolver Bolsonaro em 1988, diz autor de livro. Edição de 31/07/2019. Disponível aqui.

[7] Agência Pública. “Quanto maior o colapso do governo, maior a virulência da guerra cultural”, diz pesquisador da UERJ. Disponível aqui.

[8] Idem.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Divulgação - "Um certo senhor Gabriel"

 

O Cineclube Marighella e o Coletivo Teatral En La Barca convidam para a exibição do filme 'Um certo senhor Gabriel' (2021) seguido de debate.

O filme revisita a trajetória do artista popular Gabriel Joaquim dos Santos a partir dos cadernos que ele escreveu e dos relatos de Valdevir dos Santos, sobrinho-neto de Gabriel e, hoje, o guardião do seu maior legado artístico – a Casa da Flor, em São Pedro da Aldeia.

Gabriel começou a criar sua própria casa em 1912, a construção com paredes em taipa e esteios em madeira roliça foi decorada com mosaicos, esculturas e enfeites criados a partir do lixo e objetos quebrados, e se tornou fonte de inspiração para grandes nomes da cultura brasileira, como Ariano Suassuna.

O documentário é o primeiro material em audiovisual do coletivo En La Barca Jornadas Teatrais e foi realizado através de recursos da Lei Aldir Blanc.

Terça, 29 de junho – 19h

O encontro acontecerá pelo zoom - faça sua inscrição no Sympla pelo link: