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sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Lula tem chance de ganhar no primeiro turno? - Luis Felipe Miguel

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Lula tem chance de ganhar no primeiro turno?**


Luis Felipe Miguel***

As pesquisas mostram cenário indefinido.

O DataFolha dá 48% dos votos válidos para Lula. O IPEC (antigo Ibope) dá 51%. As duas principais empresas da área, portanto, colocam o segundo turno na faixa do "empate técnico".

Resultados diferentes existem para todos os gostos. Notórios caça-níqueis fabricam resultados com Bolsonaro bem à frente. Empresas com menos experiência, como PoderData ou Quaest, dão Lula com dianteira menor.

DataFolha e IPEC, porém, continuam sendo, na média, os mais confiáveis.

É preciso levar em conta, porém, que as sondagens de opinião (ou, ainda mais, de intenção de voto) não vivem um bom momento.

Mudanças nos fluxos de comunicação, com as novas mídias, tornaram menos confiável a construção de amostras estratificadas baseadas nas clivagens sociais tradicionais.

As redes de fake news, usando instrumentos de comunicação instantânea, permitem viradas de última hora.

Em suma, surpresas nunca estão descartadas.

Por outro lado, o voto da maior parte dos eleitores já parece cristalizado.

Fatos que teriam potencial para mexer na votação - Auxílio Brasil, comícios do 7 de setembro, escândalo dos 51 imóveis - mostraram impacto quase nulo.

O fanatismo cego da base bolsonarista, de um lado, e a consciência da necessidade de retirá-lo do poder, do outro, definem a grande maioria dos votos.

Quase não há indecisos. As pesquisas mostram pouca evolução de uma semana a outra. Mesmo os candidatos nanicos (Ciro, Tebet) se movem só na margem de erro.

Nisso, Lula decidiu jogar parado.

A campanha petista é morna e despolitizada. Evita confrontos e tem como principais objetivos reduzir resistências em alguns bolsões do eleitorado (evangélicos) e reforçar apoio de outros (mulheres).

É difícil imaginar que isso possa mudar agora na reta final.

Uma vitória no primeiro turno depende da mobilização da militância em favor do voto útil.

Vencer já em 2 de outubro dá força ao futuro governo Lula, interrompe a escalada da violência política e desidrata o golpismo de Bolsonaro.

* Arte digital "Lula Livre" de Lucas Vieira. Disponível em: https://www.artmajeur.com/pt/lucasdeo-vieira/artworks/10993456/lula-livre. Acesso em 16 de setembro de 2022. 

** Publicado originalmente no perfil do Facebook do prof. Luis Felipe no dia 16 de setembro de 2022. Reproduzimos aqui com a autorização do autor.

*** Professor titular livre do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília. Coordena o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê). É autor de  "Democracia e representação: territórios em disputa" (Editora Unesp, 2014), "Dominação e resistência" (Boitempo, 2018), dentre outros. Lançou no primeiro semestre deste ano o seu  "Democracia na periferia capitalista" pela Autêntica Editora.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Eleições 2022 - Lula e a questão Alckmin - Luis Felipe Miguel

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Eleições 2022 - Lula e a questão Alckmin**



Luis Felipe Miguel***

O IPEC - antigo Ibope - mostra Lula lá na frente, ganhando folgado no primeiro turno. Está quase 30 pontos à frente de Bolsonaro. Moro, com carnaval da mídia e tudo, não chega a dois dígitos, acompanhado de perto por meio Ciro - isto é, aquele Ciro Gomes que parece condenado a fazer metade de sua votação anterior.

Para quem insiste no "antipetismo" como fator atuante na eleição presidencial, como ainda faz boa parte da mídia, está na hora de virar o disco. Lula não apenas é capaz de levar no primeiro turno como tem, também com folga, a menor taxa de rejeição entre os principais candidatos - menor até que a de nanicos como João Doria.
Os números também permitem recolocar a questão da vice. Os defensores mais argutos da chapa com Alckmin já deixaram de lado a questão do impacto eleitoral da composição. Assumem que, embora a presença de Alckmin não tire votos, já que o eleitorado do campo democrático não tem para onde correr, também não acrescenta.
A questão, dizem, é a garantia de "governabilidade" que o ex-governador acrescenta à chapa. E a questão é exatamente esta: governabilidade para quê?
Alckmin na vice é um indicativo poderoso de que Lula, novamente presidente, não afrontará os interesses dominantes no Brasil. Que aceitará os limites impostos, ainda maiores do que aqueles dos primeiros mandatos.
É a espada de Dâmocles pendente sobre a cabeça do novo governo, pronta a cair caso se dê um passo fora da linha.
Nós precisamos, porém, não de "governabilidade" em abstrato, mas de condições políticas para a transformação do país. Para mexer na política tributária, na política agrária, na mídia, militares, mercadores da fé.
Isso só se faz com ação para mudar a relação de forças, isto é, com mobilização e organização do campo popular.
Lula é um político de enorme competência, que sabe medir o pulso das conjunturas. Não adianta esperar que ele tome a iniciativa de adotar posições menos acomodatícias.
O necessário é fazer pressão.
Este foi o erro ao longo dos governos petistas - boa parte dos movimentos abriu mão de fazer pressão, julgando que seu papel era apenas defender os companheiros no poder. Mas as classes dominantes nunca param de fazer pressão, com todos os muitos meios de que dispõem.
Se a pressão vem de um lado só, é natural que obtenha êxito e empurre o governo para o conservadorismo.
Infelizmente, a postura de muitos diante da questão da vice - abster-se de tomar posição, aceitar qualquer decisão - mostra que, uma vez mais, o risco é de um governo sempre na defensiva, condenado a fazer muito pouco e sob ameaça permanente.

* James Rougeron -"Fighting Man" - 1818. Disponível em: https://www.mutualart.com/Artwork/Fighting-Men/0D93A954FA51F127, acesso em 16 de dezembro de 2021.

** Publicado originalmente no perfil do Facebook do prof. Luis Felipe no dia 15 de dezembro de 2021. Reproduzimos aqui com a autorização do autor.

** Professor titular livre do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília. Coordena o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê). É autor de  "Democracia e representação: territórios em disputa" (Editora Unesp, 2014), "Dominação e resistência" (Boitempo, 2018), dentre outros. Está lançando neste final de 2021 "Democracia como emancipação" junto de Gabriel Eduardo Vitúlio pela editora Zouk.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

É hora de balançar o galho

É hora de balançar o galho*

 Luis Felipe Miguel**


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Não tem por que permanecer neste estado de pré-golpe até 2022. As manifestações de ontem marcam o enfraquecimento de Bolsonaro. Ele está maduro para cair.

 Ele reuniu muita gente? Sim. Mas muito menos do que esperava, tamanho o investimento na preparação dos atos. E muito menos do que era necessário para dar gás a um novo golpe.

 As estimativas mais confiáveis dão conta de umas 100 mil pessoas em Brasília e um pouco mais do que isso em São Paulo. Bolsonaro contava com dez vezes mais gente para se cacifar.

 Isto precipita o afastamento do Centrão. Ninguém quer ser sócio de uma tentativa de golpe fadada ao fracasso.

 Mais ainda: Bolsonaro decepcionou sua base. Ele prometeu ação e só ofereceu mais palavras ao vento.

 A persona política de Bolsonaro está se deslocando. O machão intrépido que desafiava "o sistema" é agora a eterna vítima, se lamuriando das maldades que fazem com ele, incapaz de reagir.

 Bolsonaro xinga os outros e se apieda de si mesmo. Relatos das cloacas da extrema-direita dão conta de que a decepção com ele é crescente.

 Em suma, Bolsonaro não consegue azeitar sua milícia política. O bolsonarismo faz um barulho feio nas redes sociais, mezzo gado, mezzo robots, e passa vexame nas ruas, vestido com a bandeira e ostentando placas com impagáveis erros gramaticais - bilíngues, em português e em inglês, que mico pouco é bobagem.

 Mas causar convulsão social? Dar bengaladas a esmo e quebrar tudo? Só nos sonhos do genocida, e olhe lá.

 Isto está cada vez menos crível, mesmo para eles.

 Se as famosas "instituições" quiserem, é a hora de balançar o galho. A hora de derrubar Bolsonaro e prendê-lo, junto com meia dúzia de outros criminosos de sua entourage.

 Não faltam motivos, nem caminhos para fazê-lo. Impeachment, afastamento por crime comum, cassação da chapa, sem falar em soluções mais criativas (nem por isso ilegítimas).

 Sua inaptidão para o cargo já está mais do que comprovada. Seu comportamento delinquente, também.

Embora ciente de que a cartada de ontem não funcionou, Bolsonaro sabe que já ultrapassou o ponto de não retorno. Seu único caminho é aprofundar as ameaças e bravatas.

 Por isso, a hora de atingi-lo é agora. Antes que, como o animal ferido da metáfora óbvia, ele busque uma saída desesperada.

 Bolsonaro destituído e na cadeia, além de ser uma questão de justiça, acalmaria o país.

Porque este é um ponto: a ameaça de que sua base radicalizada se rebele está cada vez menos crível.

 Os bolsonaristas colocariam o rabo entre as pernas e iriam chorar suas mágoas em casa. Claro que depois a gente teria que lidar com eles, mas o país não pegaria fogo.

 Assumiria um fascistão que não é burro e sabe que é obrigado a se fazer de civilizado. O exemplo de Bolsonaro inibiria, ao menos por um tempo, outras intentonas.

 A direita teria uma chance de encontrar sua lendária "terceira via", o que é um bom estímulo para que ela embarque na ideia de derrubar Bolsonaro.

 As eleições ocorreriam em 2022, sem maiores sobressaltos, com a mídia e o poder econômico fazendo o possível para definir o resultado - como sempre.

 Tirar Bolsonaro do cargo não resolve nossos problemas. Mas permite que nós os enfrentemos.

 

* Texto republicado com autorização do autor. Post original disponível na página pessoal do autor no Facebook: https://www.facebook.com/luisfelipemiguel.unb

** Professor titular livre do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília. Coordena o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê). É autor de  "Democracia e representação: territórios em disputa" (Editora Unesp, 2014), "Dominação e resistência" (Boitempo, 2018), dentre outros.

*** Imagem Revista Veja. Disponível em: https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2018/12/bolsonaro-flexao.jpg?quality=70&strip=info&resize=680,453, acesso em 08 set. 2021.


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Conteúdo e programa da disciplina "O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil"

Prezad@s,

Disponibilizo o link onde se encontra o conteúdo programático e os textos da disciplina "O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil", criação do prof. Luis Felipe Miguel que será ministrada neste 1º semestre de 2018 na Universidade de Brasília (UnB).

Eis o link para acessar o material:

https://m.box.com/shared_item/https%3A%2F%2Fapp.box.com%2Fs%2Fbm0d52sjav3e975hmz0sifjktrsz4too