A Universidade Federal Fluminense nasceu através da união de diferentes faculdades no ano de 1960. Ao longo de sua história, professores da UFF contribuíram de modo destacado para as Ciências Sociais no Brasil. Por ocasião da XV Semana das Ciências Sociais da UFF – Campos dos Goytacazes, nós, da área de Antropologia do Departamento de Ciências Sociais (COC), confeccionamos 3 bottons para homenagear pessoas que trabalharam de modo significativo, no âmbito de nossa Universidade, para ensinar, consolidar e promover a Antropologia. Luiz de Castro Faria, Roberto Kant de Lima e Simoni Lahud Guedes fizeram pesquisas, ministraram disciplinas e orientaram dezenas de pesquisadores, mas destacaram-se, sobretudo quiçá, pela capacidade de inspirar novas gerações de profissionais e promover, assim, a admiração e o fascínio pela disciplina pela qual eles mesmos eram apaixonados. Nesse sentido, “Castro Faria”, “Kant” e “Simoni” - como eram conhecidos – foram personagens fundamentais da Universidade Federal Fluminense e homenageá-los é uma forma de reconhecer sua importância na história de nossa instituição. Parafraseando Isaac Newton, podemos dizer que, se hoje temos a possibilidade de ver mais longe, é porque tivemos a oportunidade de estar sobre os ombros desses gigantes que hoje nos fazem tanta falta e, por isso mesmo, continuam a nos inspirar para que sejamos melhores.
Luiz de Castro Faria (1913 – 2004)
Castro Faria nasceu em São João da Barra. Ele foi designado pelo governo brasileiro para fiscalizar a “Expedição à Serra do Norte”, chefiada por Claude Lévi-Strauss. Essa, que pode ser considerada a última das grandes expedições etnográficas, rendeu o material que preencheria as páginas do famoso livro “Tristes Trópicos” (1955), de Lévi-Strauss. Um outro livro também seria publicado, muitos anos depois (2001), com um título sugestivo: “Um outro olhar – diário à expedição à Serra do Norte”, de Luiz de Castro Faria. Ali estão reunidas notas, comentários e centenas de fotografias que revelam a perspicácia do olhar etnográfico de Castro. Todavia, seria injusto limitar a atuação de Castro Faria à sua participação nessa expedição. Ele foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Associação Brasileira de Antropologia. Além disso, formou gerações de antropólogos e antropólogas na UFF e na UFRJ. Era um professor enérgico, determinado e profundamente erudito. Pesquisou os pescadores da Lagoa Feia, a pesca em Arraial do Cabo e também os sambaquis. Sua atuação marca a Antropologia brasileira no século XX e os frutos desse empreendimento continuam atuantes e proliferando.
Roberto Kant de Lima (1944 – 2025)
Kant concluiu a graduação em Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1968. Seu mestrado em Antropologia no Museu Nacional (1978) teve como resultado uma dissertação sobre os Pescadores de Itaipu, posteriormente transformada em um livro que se tornou clássico da Antropologia da Pesca no Brasil. Em 1986, concluiu seu doutorado na Universidade de Harvard, com uma tese que tomou como objeto de reflexão a Polícia do Rio de Janeiro. Trata-se de um trabalho pioneiro que pode ser pensado por diferentes prismas: Antropologia do Direito, Antropologia do Estado ou mesmo Antropologia do Conflito. Trata-se de um marco para a interseção entre Antropologia e Segurança Pública. Além disso, Kant foi responsável por criar e coordenar o Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (INCT-InEAC), onde reuniu uma extensa rede de pesquisadores que debruçaram-se sobre diferentes temas como a Segurança Pública, a Antropologia do Direito, os Conflitos Ambientais, as disputas públicas sobre os usos de drogas e uma leva de temas que exibem aspectos conflituosos da vida social. Seu lema era “Para cima e para o alto!”, modo bem humorado com o qual comemorava as conquistas e incentivava os empreendimentos de pesquisa.
Simoni Lahud Guedes (1950 – 2019)
Simoni nasceu em 1950, na cidade de São José do Calçado. Concluiu o bacharelado (1971) e a licenciatura (1973) em Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense. Depois, realizou o mestrado (1977) e o doutorado (1992) em Antropologia Social pelo Museu Nacional. Sua dissertação de mestrado foi intitulada “O Futebol Brasileiro: Instituição Zero” e pode ser entendida como momento destacado de impulso para toda uma linha de pesquisa sobre Antropologia dos Esportes que viria a ser desenvolvida ao longo das décadas seguintes. Isso porque ela foi pioneira ao tomar o Futebol como tema de reflexão antropológica, mas não parou por aí e trabalhou de modo a possibilitar que outras modalidades esportivas também se convertessem em campo etnográfico para outros pesquisadores e pesquisadoras. Ela buscou pensar a relação entre a identidade nacional brasileira e o futebol, e, nesse caminho, dedicou-se a temas como família, parentesco, vizinhança, cultura de trabalhadores e gênero. Seu legado hoje está impresso em livros e artigos, mas também lecionando em diferentes universidades – inclusive em nosso departamento.
Professora Dra. Stephania Gonçalves Klujsza
Professor Dr. Carlos Abraão Moura Valpassos





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