| Daniel Vorcaro, Presidente do Banco Master. (Foto: Divulgação) |
Este texto atualiza o artigo publicado em 03/09/2026 no site da Liga Comunista Brasileira (LCB).
Igor Grabois*
Jefferson F. do Nascimento**
Da última vez que escrevemos juntos, produzimos um artigo acadêmico sobre as disputas entre as frações da burguesia e os impactos econômicos da Operação Lava Jato (OLJ).[i] Agora, a nossa proposta é tratar do caso Master, não porque gostamos de analisar casos de corrupção ou assuntos da moda. Nosso esforço aqui é enfatizar que a aparente crise das ditas instituições democráticas não decorre de uma excepcionalidade (nem nas práticas reveladas nem nas ações de agentes do Estado) e, dessa vez, nossa opção não foi um artigo acadêmico. O motivo é a emergência da crise e seus impactos imediatos sobre a disputa eleitoral.
Nas seções seguintes, trataremos do
caso Banco Master e citaremos frequentemente a figura de Daniel Vorcaro. Não
ignoramos o debate sobre a existência de sócios ocultos. Um deles é o
investidor Nelson Tanure, mencionado na investigação da PF. Porém, Vorcaro se
tornou (ou foi alçado à) face pública do Master, cujas investigações o apontam,
por enquanto, como o dono.
Daniel Vorcaro:
quando a história se repete (como farsa?!)
Como tratamos no artigo sobre a OLJ:
“A alteração na fração dominante da burguesia também marcou a ascensão de
grupos e setores emergentes do mercado financeiro [...] em um cenário antes protagonizado
pelos grandes e tradicionais bancos brasileiros, como o Itaú e o Bradesco.”[ii]
Daniel Vorcaro é produto do governo
bolsonarista. Ele cresceu durante o mandato de seis anos de Roberto Campos Neto
no Banco Central. Esse mandato foi marcado por uma onda de desregulamentação do
sistema financeiro, que favoreceu a ascensão de fintechs e de
instituições financeiras com pouco ou nenhum lastro. Não somos os primeiros a
destacar a leniência e a omissão regulatória do BC neste período[iii], que permitiram o que
hoje ganha ares de escândalo.
As práticas de Vorcaro para ampliar
sua rede de influência nos três poderes não foram inéditas. O dono do Banco
Master seguiu o caminho de André Esteves (BTG Pactual). Esteves promoveu
diversos eventos com palestrantes remunerados, especialmente do Judiciário,
patrocina e é presença frequente no Gilmarpalooza (em Lisboa), em fóruns
internacionais em Londres e Nova Iorque com autoridades brasileiras e costuma
ser anfitrião de jantares e reuniões privadas[iv] com ministros do STF –
não se pode esquecer que Esteves estampou uma das imagens icônicas que publicizou
a sociedade Dias Toffoli-Vorcaro no Tayayá Resort.[v] Embora seja possível
questionar a diferença de sofisticação e comedimento entre os banqueiros, a
estratégia se repete.
Vorcaro conseguiu espraiar suas
relações. Patrocinou eventos e extrapolou a Via Esteves com festas
badaladas e embaraçosas para os conversadores reais e moralistas de goela. Notícias
dão conta de relações – com mais ou menos provas: com os senadores Flávio
Bolsonaro, Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Davi Alcolumbre; os deputados Hugo
Motta e Filipe Barros; o presidente do União Brasil Antônio Rueda; os
ex-governadores Ibaneis Rocha (DF) e Cláudio Castro (RJ); bem como os ministros
do STF André Mendonça (com visitas secretas, fora da agenda e fora do STF em
seu instituto, menção a um suposto terno do alfaiate Vasco Vasconcellos),
Alexandre de Moraes (cujo escritório da esposa firmou contrato de R$ 130
milhões), Dias Toffoli (dentre outros possíveis vínculos, destaca-se a
sociedade no Tayayá Resort); Kássio Nunes Marques (cujo filho recém formado
possui contrato de cerca de R$ 6,6 milhões com o Master) e Luiz Fux (cujo filho
manteve contato com Vorcaro e as investigações até agora não avançaram).
Um dos pontos decisivos para a queda
(ao menos temporária) de Vorcaro é a famigerada reunião fora da agenda com
Lula. A reunião ocorreu como resultado da ampliação da rede de influência de
Vorcaro. Guido Mantega intermediou o encontro, mas Lula – por sorte ou expertise
política – transformou o encontro em uma assembleia e convocou diversos
ministros para participar. O desfecho foi aquele retratado pela imprensa: Lula
avisou que a investigação seria técnica.[vi]
Como um case de sucesso dos tempos
bolsonaristas, Vorcaro cresceu muito e rapidamente, realizando triangulação por
meio de fundos, esquema de pirâmide, uso de empresas de fachada e carteiras
fictícias para simular capacidade de pagar credores. É comum associar suas
práticas ao esquema Ponzi. O nome vem do golpe praticado por Charles
Ponzi nos Estados Unidos, na década de 1920. Outra associação é às práticas de Bernard
Lawrence “Bernie” Madoff, evidentes na crise de 2008 e confessadas em dezembro
do mesmo ano após denúncia dos filhos. Abro, a seguir, um parêntese para
resumir a trajetória de Vorcaro.
Um parêntese: o nepobaby
alimentando delírios meritocráticos
Para viabilizar o esquema
fraudulento, Daniel Vorcaro conseguiu uma base muito diversa. Suas relações no
mercado advêm do pai, Henrique, empresário do setor imobiliário que,
supostamente, abdicou da boêmia e se tornou mais ascético graças ao Pastor
Márcio Valadão da Igreja Lagoinha. Segundo suas convicções, foi por isso que
seus negócios evoluíram das empresas Vorcaro Imóveis e Centro Sul
Empreendimentos para a holding Multipar, diversificando sua atuação
para muitos outros setores. A rica família Vorcaro realizou doações generosas,
viabilizando a compra para a igreja, em 1997, de uma emissora de tevê, a Rede
Super e realizou o “sonho” do jovem – hoje pastor – André Valadão de ter uma
BMW. Daniel foi iniciado pelo pai nos negócios, na Igreja Lagoinha e na Rede
Super, onde apresentou o programa musical Supersônica.[vii]
Em 2016, ingressou no mercado
financeiro. Aproveitando-se das relações do Banco Máxima com as empresas da sua
família e da crise que levou à inabilitação do banco, Daniel se aproxima de
Paul Saul Sabbá, o proprietário. A partir de 2017, fechou o controle do banco,
comprometendo-se a realizar um aporte total de R$ 75 milhões. Apesar do negócio
fechado, enfrentou entraves para se regularizar como banqueiro.[viii]
As vistas grossas
que permitiram a megafraude
Em fevereiro de 2019, na gestão de
Ilan Goldfajn, a compra do então Banco Máxima por Daniel Vorcaro foi barrada
devido a dúvidas sobre a origem dos recursos, mas foi autorizada a mesma
operação oito meses depois, em 14 de outubro de 2019, sob a presidência de
Roberto Campos Neto.[ix]
Em 2021, rebatizou seu banco como
Banco Master e iniciou captação de CDB com taxas muito acima do mercado. Para
manter a aparência de liquidez, era parte importante do esquema a relação do
Master com a REAG Investimentos – investigada pelas operações Quasar, Tank e
Carbono Oculto, deflagradas pela Polícia Federal, por movimentar cerca de dez
fundos para lavar dinheiro para empresas ligadas ao PCC. A relação com a REAG
era importante porque os mecanismos para inflar artificialmente o patrimônio
dos fundos e criar lastros serviam para alavancar negócios do Banco Master. Não
teria sido possível entupir o mercado com CDBs sem utilizar a REAG.[x]
Jamais deve ser esquecido que o
Banco Master participou do esquema de corrupção que lesou aposentados e
pensionistas do INSS. O banco movimentou cerca de R$ 700 milhões por meio de
empréstimos consignados convencionais e, principalmente, pelos lesivos RCC
(Reserva de Cartão Consignado) e RMC (Reserva de Margem para Cartão de
Crédito).[xi]
Para estas modalidades, a margem consignável de servidores públicos e
aposentados foi ampliada duas vezes durante o governo Bolsonaro: de 35% para 40%
(Lei 14.131/2021)[xii];
e de 40% para 45% da remuneração líquida (Lei 14.509/2022), sendo até 35% para
o consignado convencional e 5% para cada uma das duas modalidades (RCC e RMC).
Embora o Banco Master e suas
empresas tenham sido excluídos pelo governo Lula do rol de instituições
credenciadas a ofertar consignados para servidores federais, aposentados e
pensionistas do INSS após uma série de denúncias, foi justamente a atuação do
Master e de sua CredCesta (Banco Pleno / PKL One) no escândalo do INSS, por
meio de RCC e RMC, que deu causa às acusações de envolvimento do PT da Bahia
com Vorcaro.[xiii]
O mesmo CredCesta foi, segundo
Vorcaro, razão para o acerto de propina realizado por Gilberto Kassab
(presidente do PSD) e envolveu doações eleitorais a Bolsonaro e Tarcísio de
Freitas nas eleições de 2022. A propina garantiria a continuidade da oferta de
consignados pelo CredCesta (que opera preferencialmente pelo RCC e RMC). O
acordo teria sido cumprido, mantendo a exclusividade do CredCesta até dezembro
de 2024, quando foi aberta a concorrência. A empresa só teve a atuação suspensa
em São Paulo por ações do BC, parou de ofertar crédito em novembro de 2025 e só
foi descredenciada quando definitivamente liquidada em 19/02/2026.[xiv]
Ou seja, o falso lastro via REAG e a
oferta de créditos lesivos a servidores e aposentados e pensionistas do INSS permitiram
ao Banco Master uma postura agressiva de aquisições: entre 2021 e 2024,
adquiriu o Will Bank, a seguradora Kovr, 50% da Itaminas Comércio de Minérios
e, visando capital social e político, investiu na SAF do Clube Atlético
Mineiro.[xv]
Como nos casos Ponzi e Madoff, a
inércia fiscalizatória e regulatória favoreceu o criminoso, pois denúncias e
indícios de irregularidades foram ignorados. O Ministério Público (MP) afirma
que a Comissão de Valores Mobiliários fez uma série de acordos, contrariando
orientações técnicas do próprio órgão, livrando Vorcaro e o Grupo Master da
denúncia de práticas criminosas aos órgãos competentes.[xvi] Não se pode esquecer ainda
que Vorcaro apostou na omissão do BC sob Campos Neto, vendida com o eufemismo
de flexibilização regulatória visando o aumento da concorrência no sistema
bancário.[xvii]
O paraíso ultraliberal de Guedes/Bolsonaro foi o ninho do Escândalo Master.
Além da REAG, há outras
possíveis pistas para investigar a conexão entre crime organizado e corrupção
de agentes públicos
No dia 03 de setembro,
vieram à tona áudios gravados entre março e abril de
2025 em que o deputado Nikolas Ferreira, com destacada
gentileza e intimidade, pede a Vorcaro ajuda para seu amigo, assessor e
advogado, Thiago Rodrigues de Faria, desenrolar “uns ativos minerários”. Em setembro de 2025, Faria –
o assessor, amigo e advogado de Nikolas – foi citado na Operação Rejeito da
Polícia Federal, que investigou um esquema de extração ilegal de minério de
ferro na Serra do Curral, em Nova Lima (MG).
Segundo a PF, o
escritório de Faria mantinha desde janeiro de
2025 um contrato com a empresa Gmais Ambiental, uma das
investigadas. O acordo previa que seu escritório poderia receber 25% do lucro
total caso fossem concretizadas a autorização para a mineração e a venda da
lavra, em uma negociação estimada entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões. O
pedido de Nikolas a Vorcaro foi entre março e
abril de 2025, a operação foi em
setembro de 2025 e o banqueiro era dono de empresa de mineração até novembro de 2025.[xviii]
A primeira fase da
Operação Rejeito resultou na prisão preventiva de 22 pessoas. Dentre os presos,
estava o geógrafo e assessor parlamentar Gilberto Carvalho, identificado como
um lobista ligado ao PL, para quem Nikolas pediu votos na eleição do CREA-MG[xix].
Na mesma conversa,
Nikolas mencionou o alerta do pastor André Valadão sobre uma postagem do
deputado criticando o Banco Master (a postagem foi removida pelo deputado) e se
desculpou. No mesmo vazamento, Vorcaro tinha demonstrado irritação com essa
crítica, afirmado ter “bancado todos os voos” de Nikolas e a vontade de revelar
tudo.
Essas
revelações nos permitem questionar muito além do que Nikolas poderia ganhar; é
preciso investigar a relação do deputado com a mineração ilegal e se Vorcaro –
então dono da Itaminas – tinha mecanismos para ajudar na autorização da
mineração em Minas Gerais, o que renderia milhões a Faria (sabe-se lá se
Nikolas ganharia algum). Se Vorcaro tinha esses mecanismos, por quais vias? Isso
é, há mais um caminho para buscar as conexões entre crime organizado e
corrupção de agentes públicos.
A queda
A queda também foi rápida – e
barulhenta como suas festas. O crescimento rápido e fraudulento do Banco Master
colocou em risco o funcionamento do sistema financeiro brasileiro. Daí que
bancos tradicionais, como Itaú e Bradesco, que perderam proeminência na
política brasileira a partir dos deslocamentos do bloco de poder causados pela
OLJ, voltaram à cena. Dessa vez, com apoio de bancos relativamente mais novos,
como BTG, por meio de suas associações (ABBC, Acrefi, Febraban e Zetta), pressionaram
o BC devido ao risco de colapso do sistema financeiro. Tanto é que,
imediatamente, apoiaram o BC contra a proteção ao Master ensaiada por setores
do judiciário, principalmente pelo STF com Dias Toffoli, e os ataques
promovidos pela extensa rede de influenciadores digitais e portais bancados por
Vorcaro.[xx] Ou seja, a sanha do
Master colocava em risco todo o sistema financeiro, foi necessário pará-lo e
amenizar os impactos por meio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que custou
metade dos recursos do fundo (que não seria suficiente caso a Emenda Master do
senador Ciro Nogueira, apresentada na Câmara pelo deputado Filipe Barros,
alterasse a garantia de R$ 250 mil para R$ 1 milhão).
Os tempos mudaram e os sinais dessas
mudanças vieram pela postura de Lula e seus ministros na reunião fora da agenda
no Planalto, pela intensificação das operações da PF contra o crime organizado
e pela retomada de alguns critérios fiscalizatórios e regulatórios do BC sob
Galípolo – claro, com a sustentação de parte importante da própria burguesia
financeira brasileira.
A quebra do
espírito de corpo do STF
Antes de prosseguir, não custa
lembrar Gramsci: “A crise consiste precisamente no fato de que o velho está
morrendo e o novo não pode nascer; nesse interregno, surge uma grande variedade
de sintomas mórbidos.”. No Brasil atual, o processo de morte do “velho” não
é irreversível e agônico; o “novo” não é inteiramente “novo” nem sua gestação é
segura e saudável.
O “velho” Jair Bolsonaro levou a
cabo uma estratégia de confronto com as chamadas instituições democráticas,
especialmente contra o STF. Uma das táticas foi produzir um racha no espírito de corpo da Corte.
Neste intento,
aproveitou da aproximação de Dias Toffoli com os militares. O ministro nomeou o
general da reserva Fernando Azevedo e Silva como assessor, o militar depois foi
nomeado ministro da Defesa por Bolsonaro, e estreitou os laços com o então
presidente.[xxi] O mesmo ministro concedeu
a liminar que suspendeu as investigações contra o filho e atual candidato à
presidência, Flávio Bolsonaro, e era presença frequentes em reuniões no Palácio
do Planalto.[xxii]
Outra aproximação
ocorreu com Fux. Outrora punitivista na OLJ e contrário a revisão de penas da Operação
pelo STF, sua relação com Bolsonaro ficou evidente em 2020, com direito à
condecoração: recebeu o grau de Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco. Terminado o
governo, Fux reiterou sua proximidade votando conforme os interesses
bolsonaristas na maioria das ações sobre os atos golpistas.[xxiii]
Além disso, as nomeações
de Bolsonaro demonstram até hoje alinhamento. Kássio Nunes Marques e André
Mendonça votam reiteradamente em favor de interesses bolsonaristas e de aliados
e não titubeiam em enfrentar os demais ministros. Ambos, estão à frente do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na eleição que promete ser tensa, pelos
desafios da regulação das redes sociais, do uso de IA e de medidas preventivas
ao risco de intervenção estrangeira.
Pode-se,
portanto, questionar Jair Bolsonaro por quaisquer óticas, mas é difícil negar
que a gigante crise vivida pelo STF tem relação com sua estratégia política. O
“velho” não morreu!
André Mendonça:
quando a síndrome do justiceiro encontra o sonho pueril do herói brasileiro (a história
repetida frequentemente como tragédia e farsa)
Primeiro, é necessário
pontuar: Mendonça é mais próximo de Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas do
que de Flávio Bolsonaro. Por isso, é importante estabelecer um marco. Por
coincidência ou não, a pior crise da campanha de Flávio em relação aos seus
negócios com Vorcaro ocorreu durante a briga pública entre ele e a madrasta. A
normalização das relações entre ambos, por coincidência ou não, marcou a
entrada mais clara de Tarcísio na campanha de Flávio e o início dos vazamentos
seletivos sobre Lulinha nas investigações de tráfico de influência (nas mãos de
Mendonça há mais de 7 meses) e, por fim, o relatório bombástico sobre Alexandre
de Moraes ocorreu minutos após a reportagem da Piauí contando que Flavio
Bolsonaro mentiu novamente e que recebeu repasses de Vorcaro/Master após maio
de 2025.
Segundo, é necessário enfatizar que este texto não pretende defender Alexandre de Moraes. Reconhecemos sua importante atuação no enfrentamento à tentativa de golpe bolsonarista; mas, desde a nossa perspectiva política, Moraes sempre foi um adversário: sua gestão como Secretário de Segurança Pública de São Paulo foi marcada por chacinas (como Osasco e Barueri), repressão violenta a protestos sociais (inclusive de estudantes) e aumento da letalidade policial; além de ter advogado para Eduardo Cunha, ser fiador do golpe contra Dilma e ministro de Temer e tem votado sistematicamente contra os trabalhadores em demandas trabalhistas. Nosso intento é, portanto, destacar os fatos relacionados à cruzada de André Mendonça.
Os movimentos Mendonça não podem ser analisados deslocados das ocorrências políticas. O relatório contra Moraes foi definido em uma reunião surpresa, qualificada por policiais federais como “reunião cilada”, convocada no final de semana, realizada no dia 24 de agosto, sem indicar Moraes na pauta.[xxiv]
A ação de Mendonça
antecipou os movimentos ensaiados pela PF e por Flávio Dino. A deputada Tabata
Amaral fez uma representação junto ao STF que resultou na investigação de
desvio de finalidade no envio de emendas parlamentares do deputado Mário Frias
ao Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada a Karina Ferreira da Gama, registrada
como dona da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse
e, em agosto, a PF pediu acesso aos documentos originais da investigação da
Polícia Civil de São Paulo sobre a ONG, a produtora e desvios de verbas
públicas da Prefeitura de São Paulo. Dino respondeu em 24 de agosto, mesmo dia da
fatídica reunião.[xxv]
O acesso da PF às
investigações da Polícia Civil paulista pode colocar no centro dos escândalos
Ricardo Nunes e membros de sua gestão na prefeitura de São Paulo pelo contrato
de internet com a ONG de Karina Ferreira da Gama; Mário Frias e outros
deputados podem ser implicados pelo desvio de finalidade ao enviar recursos
para a ONG e pode revelar o real papel de Karina Ferreira da Gama (acusada de
ser “laranja”). Além, é claro, de ter o potencial para desmentir a versão de
Tarcísio: o governador dizia (a exemplo de outros políticos de direita) que era
necessário esclarecer os áudios entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro e, por
coincidência ou não, após a reconciliação entre Flávio e a madrasta Michelle,
passou a dizer que tudo tinha sido esclarecido pelo candidato à presidência[xxvi]
e que a Polícia Civil havia cumprido seu papel.
O requerimento da PF a
Dino ocorreu em um claro contexto de ampliação dos vazamentos seletivos em
relação a Lulinha no suposto tráfico de influência e ao silêncio acerca das
investigações do caso Master e dos políticos citados, inclusive Flávio
Bolsonaro. Além disso, jornalistas repetiam que haveria mais informações
vazadas sobre o caso, como o que veio à tona dia 01/09 informando novos
repasses de Vorcaro ao filme/família Bolsonaro.
A ação de Mendonça abriu
o precedente de nulidade ao avançar sobre Alexandre de Moraes em fase
pré-processual, usando a PF, sem ser provocado pelo MP e sem autorização do STF,
argumento registrado no posicionamento da Procuradoria-geral da República (PGR)[xxvii].
Além desse argumento que, em tese, preserva o sistema acusatório, existe outro
definido pelo artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN)[xxviii]:
ao encontrar indícios de irregularidades envolvendo um ministro do STF, o
relator deveria ter interrompido o ato e submetido o caso ao Plenário da Corte,
que é o órgão competente para autorizar ou não investigações contra seus
membros. Alguns portais chegaram a dizer que a ADI 5331, votada em 2015 sobre o
TJ de Minas Gerais, derrubava o entendimento. Contudo, a referida ADI dispensou
a obrigatoriedade de votações em conselhos ou plenários estaduais para
investigações comuns, respeitando a supervisão de um magistrado (juiz natural
ou relator), mas fixou o STF como exceção. Quando envolve ministros da Suprema
Corte, o relator deve enviar os novos elementos ao plenário, que autoriza ou
não a continuidade das investigações sem a presença do ministro suspeito. Caso
o plenário decida pela continuidade, deve ser realizado novo sorteio para
relatoria do caso. Não é trivial lembrar que o relatório de Mendonça tratou de
Alexandre de Moraes em 188 das 218 páginas.[xxix]
O precedente da nulidade
existe e há quem questione se apenas as menções a Alexandre de Moraes seriam
nulas, se incluiriam outros citados, como Andrei Rodrigues (diretor-geral da
PF), Paulo Gonet (PGR) e Fábio Faria (ex-ministro de Bolsonaro, que apresentou
Moraes a Vorcaro) ou se contaminariam toda a investigação contra Vorcaro/Banco
Master. Insensível ao risco, Mendonça apostou na via lavajatista, utilizando a
imprensa para gerar um clima favorável à sua tese na opinião pública e para ampliar
os constrangimentos às decisões contrárias. Por essa razão, demonstrou pressa
para uma eventual discussão no Plenário. Assim, os ministros ficariam
pressionados entre a decisão técnica (autorização do plenário e novo sorteio) e
atender à opinião pública, uma vez que as denúncias sobre Moraes são
gravíssimas e precisam de resposta.
Mendonça
decidiu que o risco vale a pena. Cabe a pergunta: a razão para essa decisão é a
síndrome do justiceiro e a busca por atender interesses pessoais e/ou de seu
grupo ou a ingenuidade quixotesca na luta contra os gigantes (os moinhos de
ventos).
As reações e contrarreações:
No dia 02 de setembro,
uma reportagem de Paulo Motoryn acordou o Brasil com gravações que mostram que
Mendonça se reuniu com Vorcaro e com o advogado do banqueiro em encontro
secreto realizado em São Paulo – na sede do Iter, instituto do ministro. Os
áudios falam da empolgação do ministro relativo às acusações, de um terno de
alta costura de Vasco Vasconcellos dado pelo banqueiro ao ministro e outras
coisas. De fato, em termos de possível corrupção, não se compara aos indícios
que implicam Alexandre de Moraes e o escritório de sua esposa. Mas, sendo bem
direto, ainda que o ministro afirme que os encontros antecederam sua posse como
relator do caso, é forte para gerar suspeição do ministro na relatoria.[xxx]
Foi curioso notar a
demora das empresas tradicionais em noticiar os áudios revelados por Motoryn.
Com mais de duas horas de atraso, o Globo.com decidiu priorizar nas
manchetes a versão do ministro: primeiro enfatizou que o encontro tratou de
precatórios; logo alterou a manchete dizendo que Mendonça encontrou Vorcaro,
reconhece que o caso Master foi mencionado e que se limitou a ouvir. O portal
Metrópoles, denunciado por receber dinheiro de Vorcaro[xxxi],
deu uma manchete afirmando “Exclusivo: documento reforça versão de Mendonça
sobre reunião com Vorcaro”. O problema: o documento citado na reportagem
tratava de uma reunião posterior, realizada no STF, com um dos advogados de
Vorcaro; Motoyn denunciou e divulgou áudios sobre o encontro realizado em São
Paulo, na sede do Iter, e sobre a alfaiataria de Vasco Vasconcellos.
Devemos reconhecer: o
que chamamos de imprensa lavajatista não nasceu nem morreu com a OLJ. Se a
motivação é dinheiro, patrocínio ou interesse político, cabe investigar melhor
cada empresa de comunicação.
Mendonça assimilou o
golpe e foi ao ataque. A partir da informação de que ele realizou uma reunião
com Vorcaro e sua defesa sem a PF, órgãos de imprensa passaram a “vazar” que
Vorcaro agora alegava tortura, que sua delação não havia sido aceita porque a PF
exigia que o banqueiro poupasse o diretor-geral Andrei Rodrigues e membros do
atual governo. Tudo sem qualquer prova. Mas, lembremos, para o espírito
lavajatista provas podem ser substituídas por convicções (ou interesses). Outra
notícia que circulou no mesmo dia 02 foi o interesse de Vorcaro em fechar um
acordo de delação premiada com Mendonça, excluindo a PF, para supostamente
entregar Andrei Rodrigues e membros do atual governo.
A
escalada de Mendonça deixa claro que ele não se constrange em rasgar a toga e
partir para a ação eleitoral direta. No dia 01/09, enquanto o país acompanhava
a repercussão do caso Moraes, André Mendonça suspendia a propaganda com o jingle
“Rap do Silva”, de Lula, alegando irregularidade ao não citar o vice,
Geraldo Alckmin[xxxii]. No dia 02, em
levantamento de Bela Megale, veio a matéria de que ele é o ministro que menos
vota favoravelmente às demandas da campanha de Lula.[xxxiii]
E esse empenho tende a continuar com a condução seletiva do caso Master.
Apenas fogo de encontro (fogo contra fogo ou contrafogo) pode ter efeito
Brigadas de combate a
incêndios usam a técnica de fogo contra fogo para barrar o avanço de
grandes incêndios. A técnica funciona com fogo controlado em uma faixa de
vegetação no caminho do incêndio. O objetivo é eliminar o material combustível
que permitiria o incêndio avançar. Recorrendo à analogia, essa é a única
estratégia de contenção imediata ao empreendimento eleitoral de Mendonça.
Uma das formas já pode
ter sido anunciada no mesmo dia 02. A PGR anunciou que fechou delação premiada
de João Carlos Mansur, ex-dono da REAG Investimentos. A empresa foi denunciada
nas operações
Quasar, Tank e Carbono Oculto, deflagradas pela PF, por lavar dinheiro para
empresas ligadas ao PCC. Além disso, era um dos pilares para a liquidez
artificial anunciada pelo Master, que permitiu avançar na emissão de CDBs.
Mansur pode revelar muito sobre Vorcaro e sobre investigações relacionadas ao
crime organizado no país.
Também no dia 02, deputados federais
da base governista pediram ao presidente do STF, Edson Fachin, que o plenário
derrubasse o sigilo das investigações sobre o filme “Dark Horse”. Pedido
minimalista com intuito único (não menos legítimo) de equilibrar o jogo
eleitoral.
A PGR também homologou, no dia 03, a
delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre
Investimentos, responsável por repassar recursos do Master ao filme “Dark
Horse” via fundo Havengate.[xxxiv] A delação, a priori,
não envolve políticos com prerrogativa especial de foro, mas pode implicar
Eduardo Bolsonaro e seus sócios Paulo Calixto e Altieris Santana.
Outra
forma, maior e mais definitiva, de acionar o contrafogo seria o STF realizar o
mais rápido possível a discussão no plenário. Dar à opinião pública o que ela
demanda: afastamento temporário de Moraes, Gonet e, se for o caso, de Andrei
Rodrigues. Em contrapartida, condicionar esse afastamento à derrubada total do
sigilo das investigações do caso Master (incluindo o caso “Dark Horse”).
A derrubada do sigilo tiraria de Mendonça o controle seletivo de etapas e
vazamentos. O plenário teria ainda a possibilidade de realizar um novo sorteio
de relatoria, conforme determina a LOMAN.
As linhas finais
Vorcaro é uma criatura
do projeto bolsonarista. Suas conexões envolvem importantes círculos
religiosos, políticos, juízes e uma tropa de choque que incluía desde Sicário (in
memoriam) até membros da PF. Sua ascensão meteórica só foi possível pela
implementação da distopia ultraliberal de Guedes/Bolsonaro, que contou com a
adesão de Roberto Campos Neto, visando desregulamentar o mercado financeiro e
desmontar estruturas de fiscalização. O bonito discurso de ampliar a
concorrência no sistema bancário brasileiro resultou, na prática, em mais
liberdade para o crime organizado lavar dinheiro e em oportunidade para o
esquema tipo pirâmide do Banco Master. Não parou por aí; os tentáculos atingiram
consignados de servidores municipais, estaduais e federais, regimes próprios de
previdência de servidores municipais e estaduais e consignados de aposentados e
pensionistas do INSS. Sem fiscalização, algo com que a CVM colaborou, o único
obstáculo de Vorcaro era a imprensa, com a qual Sicário tentou se ocupar.
Ser uma criatura
bolsonarista não significa que seus alicerces se limitaram às autoridades e aos
políticos da mesma ideologia. A rede de relações cresceu, alcançando Alexandre
de Moraes no STF (embora apresentado por Fábio Faria, não se trata de um
bolsonarista) e respingou no PT da Bahia. A rede de sustentação do Master teve
ação destacada de Ciro Nogueira e Antônio Rueda, ambos líderes de partidos do
Centrão, além do deputado bolsonarista Filipe Barros.
Mas ser uma criatura
bolsonarista é também uma evidência revelada no manejo das investigações. A
blindagem a Flávio Bolsonaro, ao filme “Dark Horse” e ao fundo Havengate
ganhou impulso, coincidentemente (ou não) após a trégua entre o candidato à
presidência e a madrasta Michelle. A trégua coincidiu com acenos públicos de
Tarcísio, a continuidade do silêncio da Polícia Civil sobre as investigações
ligadas ao filme (sobre Karina Ferreira da Gama, sua ONG e a produtora Go Up)
e a incansável militância de André Mendonça. O ministro do STF foi assessor
especial do Ministro da Controladoria-Geral da União no governo Temer; e, no
governo Jair Bolsonaro, foi Advogado-Geral da União, ministro da Justiça e
anunciado para a Suprema Corte como “terrivelmente evangélico”. O ministro
advém de círculos religiosos, políticos e jurídicos parecidos com os de
Vorcaro. Um truísmo, pois é a base bolsonarista.
Contudo, há também outra
filiação: a Operação Lava Jato. A OLJ provocou deslocamentos no bloco de poder,
dando força a bancos e corretoras emergentes no mercado financeiro em vez dos
bancos tradicionais, o que abriu espaço para a emergência de Vorcaro no Banco
Máxima e depois no Master. Também tem origem na OLJ, apesar de Bolsonaro se
orgulhar de destruí-la, as estratégias de Mendonça para definir eleições, como
Moro, Dallagnol e companhia limitada, ajudaram a decidir em 2018.
As estratégias
criminosas e a base de sustentação não foram construídas com ações inéditas.
Muito do que Vorcaro realizou já havia sido feito; seus golpes remetem aos de
Ponzi e Madoff, e o cortejo de autoridades seguiu as práticas de outros
figurões do mercado financeiro brasileiro, como André Esteves. E, por ironia,
ele – que muito deve à OLJ – enfrentou sua derrocada (ao menos até aqui) por
reação ou desconfiança de derrotados ou prejudicados pela Operação: coube aos
bancos tradicionais pressionar o BC a reagir contra o Master, para evitar a
quebra do sistema financeiro nacional; do mesmo modo, a posição de Lula e
Haddad parece ter selado o destino de Vorcaro ao defender uma ação técnica do
BC, sob Galípolo; e, por fim, as entidades de representação e defesa dos bancos
(lideradas pelos bancos tradicionais e o BTG) correu para proteger o BC de
ataques do STF, por meio de Toffoli, e do exército de influencers e de páginas
e jornais contratados por Vorcaro.
Resta saber como e
quando ocorrerá um efetivo contrafogo ao lavajatismo renovado de André
Mendonça. Aguardemos!
---
* Igor Grabois é economista e pesquisador do Instituto Mario
Schenberg.
** Jefferson Nascimento é doutor em Ciência Política, membro do Núcleo
de Estudos dos Partidos Políticos Latino-Americanos (NEPPLA) e do Núcleo de
Estudos de Política Contemporânea (NepCon). É autor do livro “Na grande área
do poder” (Editora Ludopédio).
[i] NASCIMENTO,
Jefferson Ferreira do; GRABOIS, Igor. Operação Lava Jato: impactos econômicos e
deslocamentos no bloco no poder. Tempo da Ciência, v.30, n.59, 2023.
DOI: 10.48075/5egcsg34. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/tempodaciencia/article/view/31403
[ii] Nascimento &
Grabois (2023). Op Cit. p.10.
[iii] Na matéria do link
a seguir, Haddad fala de falha regulatória, enquanto o professor de Economia
Dr. José Carlos Oreiro (UnB) destaca a omissão/negligência do BC durante a
gestão de Roberto Campos Neto. Cf.: https://www.brasildefato.com.br/2026/02/11/fraude-do-master-foi-negligencia-do-bc-de-campos-neto-nao-falha-regulatoria-avalia-economista/
[iv] Ver exemplo em: https://noticias.uol.com.br/colunas/thais-bilenky/2026/06/09/andre-esteves-alexandre-de-moraes-gilmar-mendes-gilmarpalooza.htm
[v] Ver mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/video-mostra-toffoli-recebendo-banqueiro-do-btg-e-empresario-que-o-levou-ao-peru/
[vi] Ver mais em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/lula-diz-que-recebeu-vorcaro-a-pedido-de-mantega-e-que-avisou-a-banqueiro-que-investigacao-seria-tecnica.shtml
[viii] Ver mais em: https://jornalggn.com.br/coluna-economica/vorcaro-a-expressao-maior-do-crime-organizado-por-luis-nassif/
[ix] Ver mais em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/05/19/senadores-questionam-como-bc-negou-e-depois-aprovou-venda-do-master-a-vorcaro
[xi] Ver mais em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/alvo-da-cpmi-master-movimentou-r-700-mi-em-consignado-para-aposentados/#goog_rewarded
[xii] Ver mais em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/seu-bolso/meu-dinheiro/bolsonaro-sanciona-lei-que-amplia-para-40-limite-de-consignado-para-aposentados/
[xiii] https://www.poder360.com.br/poder-justica/entenda-como-o-pt-na-bahia-vendeu-o-credcesta-e-negocio-favoreceu-o-master/
[xiv][xiv][xiv] Ver mais em https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/matheus-teixeira/politica/doacao-a-bolsonaro-e-tarcisio-eram-propina-acertada-por-kassab-diz-vorcaro/
[xv] Ver mais em: https://jornalggn.com.br/coluna-economica/vorcaro-a-expressao-maior-do-crime-organizado-por-luis-nassif/
[xvi] Ver mais em: https://noticias.uol.com.br/colunas/daniela-lima/2026/03/12/ministerio-publico-acordos-com-cvm-livraram-vorcaro-da-apuracao-de-crimes.htm
[xvii] Ver mais em: https://www.dw.com/pt-br/como-funcionava-o-esquema-do-banco-master-segundo-a-investiga%C3%A7%C3%A3o/a-75736225
[xviii] Ver mais em: https://www.em.com.br/politica/2026/09/7493148-quem-e-thiago-faria-o-assessor-de-nikolas-ferreira-citado-em-audios-para-vorcaro.html
[xix] Ver mais em: https://www.em.com.br/politica/2025/09/7250669-nikolas-pediu-apoio-para-alvo-preso-em-operacao-por-corrupcao-ambiental.html
[xx] Ver mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/caso-master-bancos-saem-em-defesa-do-bc-e-alertam-contra-reversao-de-decisoes/
[xxi] Ver mais em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/frederico-vasconcelos/2025/02/toffoli-defendeu-bolsonaro-e-abriu-o-judiciario-a-militares.shtml
[xxii] Ver mais em: https://blogs.oglobo.globo.com/bernardo-mello-franco/post/toffoli-o-ministro-que-colabora.html
[xxiii] Ver mais em: https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/fux-que-foi-juiz-rigido-no-mensalao-conquistou-bolsonaro-antes-da-trama-golpista-chegar-ao-stf,08647b6ad82a09276840b2672a3a8b88wxdydg6u.html
[xxiv] Ver mais em: https://noticias.uol.com.br/colunas/fabio-serapiao/2026/09/02/mendonca-fez-reuniao-cilada-para-mandar-pf-fazer-relatorio-sobre-moraes.htm
[xxv] Ver mais em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/dino-autoriza-pf-acessar-dados-de-operacao-contra-produtora-de-dark-horse/
[xxvi] Ver mais em: https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/08/26/tarcisio-diz-que-flavio-bolsonaro-ja-deu-todas-as-explicacoes-sobre-suas-relacoes-com-daniel-vorcaro-esta-tudo-esclarecido.ghtml
[xxvii] Ver mais em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/09/01/pgr-critica-mendonca-e-pede-nulidade-de-investigacao-em-que-moraes-e-citado-pela-policia-federal.ghtml
[xxix] Ver mais em: https://www.cnnbrasil.com.br/noticias/investigacao-contra-moraes-depende-de-autorizacao-do-stf-entenda/
[xxx] Ver mais em: https://paulomotoryn.substack.com/p/urgente-mensagens-e-audios-ineditos?r=2mnt7&utm_campaign=post&utm_medium=email
[xxxi] Ver mais: https://www.estadao.com.br/politica/master-pagou-metropoles-e-escritorio-barci-de-moraes-no-mesmo-dia-mostram-mensagens-de-vorcaro/?srsltid=AfmBOoojdrGQM7uTy3DFj7ZgtHk4yWkGd4eE0MianCeygZFivDdl9a2a
[xxxii] Ver mais em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/09/01/mendonca-suspende-propaganda-de-lula-com-rap-do-silva-por-nao-apresentar-alckmin-como-vice.htm
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